O QUE APROXIMA AS CRISES BRASILEIRA E CATALÃ: A CRIMINALIZAÇÃO DA VONTADE POPULAR

Luã Reis – A escolha da vontade popular desagradou os poderosos do país. Em um ataque coordenado com a mídia e organismos internacionais, essa elite deu um golpe, anulando o resultado das eleições. Quem se manifestou contra foi violentamente reprimido. Tentando legitimar tal assalto, o regime convoca novas eleições, no entanto, o povo insiste em apoiar aquele que contraria os interesses do poder vigente.

Essa é a história da crise catalã, mas poderia muito ser o roteiro da crise política brasileira pós-golpe.

A escolha democrática pela independência da Catalunha contrariou os interesses centralizadores de Madrid e da União Europeia, que desatou uma campanha de criminalização do movimento separatista. O espancamento dos eleitores foi apoiado pela mídia, com destaque para o El País, jornal sempre pronto para atacar a “ditadura venezuelana”. O governo de Madrid deu um golpe, invalidou o pleito, chamando novas eleições, com a certeza que o terror político se tornaria uma vitória eleitoral. No entanto, o povo catalão, apesar da violenta campanha contra, insiste em se separar, votando no presidente deposto, e perseguido político, Carles Puigdemont.

A escolha democrática de Dilma Roussef contrariou os interessantes econômicos da elite brasileira, em especial a paulista, e dos EUA, que desatou uma campanha de criminalização do governo e do partido no poder. As manifestações contra a criminalização da presidenta eram atacadas pela mídia, com destaque para a Rede Globo, histórica sustentáculo da ditadura militar. Nesse embalo, o congresso deu o golpe, invalidando o pleito. No entanto, se aproximando o momento de novas eleições, o povo brasileiro, apesar da violenta campanha contra, insiste em votar em quem defende os seus interesses, no ex-presidente, e perseguido político, Lula.

A campanha contra as lideranças políticas, que contrariam poderosos interesses, se tornou uma perseguição política. Fica claro, para as populações que Puigdemont e Lula não são atacados e perseguidos por conta dos defeitos, mas pelo contrário, são alvos por conta das qualidades, isto é a capacidade de contrariar o poder econômico. Aos olhos desses povos, as crises brasileiras e catalãs, tem uma resolução simples: o respeito à vontade popular. Para os governo de Brasília e de Madrid, e seus tentáculos midiáticos, como El País e Globo, as crises se devem justamente ao fato dos povos ousarem ter vontade.

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