PROVOCAÇÃO PARA UMA GUERRA: UMA ARMADILHA PARA A VENEZUELA?

Por Luã Reis e Matheus Mendes

Notícia publicada no New York Times dá conta que os EUA estão movendo navios de guerra para cercar a Venezuela. Não se trata de mais um exercício militar, como tantos outros já realizados para provocar aquela república bolivariana. Desta vez os EUA enviarão navios de guerra “contra o narcotráfico”, com o objetivo de monitorar as águas venezuelanas sob o pretexto hipócrita de impedir “o comércio ilegal de narcóticos”. 

Na semana passada, o Departamento de Estado lançou uma recompensa pela cabeça de Maduro, algo criminoso sob qualquer ótica do direito internacional. A acusação é de “narcoterrorismo”: Maduro utilizaria o dinheiro do tráfico (?!) para praticar atos terroristas (quais?). Como bons mestres de Sérgio Moro e da Lava-Jato que são, não apresentaram nenhuma prova. 

70% da cocaína que chega nos EUA é proveniente da Colômbia, aliada até a medula de Washington. Contra a Colômbia não pesam semelhantes acusações como as realizadas contra a república da Venezuela, embora os canais de tráfico colombianos sejam bem conhecidos pela inteligência americana. Também, pudera. Os EUA contam com pelo menos 45 instalações militares em território colombiano, sendo uma delas a base aérea de última geração de Palanquero, com capacidade de operar vôos que cobririam metade do território da América do Sul, fruto do acordo militar celebrado em 2009 entre os dois países, e que gerou, à época, crise diplomática entre os líderes sul-americanos.

Não será uma surpresa se este novo navio de guerra enviado para monitorar a Venezuela capturar, “casualmente”, um navio venezuelano carregado de drogas. Tampouco surpreenderá se nesta captura se descobrir algum passaporte ou documento de alguma autoridade de Estado venezuelana, em um cenário de típica armadilha de falsa-bandeira (false flag). Seria a prova que o processo criminal contra Maduro não tem. 

Os EUA são pródigos em operações de ‘false flag’ para justificar guerras. Em 1890 a explosão de um navio na Flórida justificou a entrada dos EUA na guerra contra a Espanha. O ataque da bacia de Tekin foi usado para entrar na fracassada guerra contra o Vietnã. Ainda na memória mundial, o criminoso discurso de Colin Powell na ONU acusando o Iraque de possuir armas de destruição em massa que nunca existiram foi a justificativa para o império americano invadir todo o Oriente Médio, projeto que já havia sido iniciado com a invasão do Afeganistão sob pretexto de caçar Osama Bin Laden. Em 1994, uma ‘false flag’ conjunta das inteligências americanas e colombianas, sob comando de Juan Manuel Santos, assassinou civis colombianos e os vestiu de militares para demonstrar sucesso no combate à guerrilha[2].

É uma tradição americana: nada melhor que uma guerra para reerguer a economia e garantir uma eleição. Melhor ainda se for no quintal deles.

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