Os povos latino-americanos começam a se levantar

Via Gazeta Revolucionária

O Coronavírus acelera a contaminação na América Latina que tem se convertido no eixo da extensão da pandemia em escala mundial.

O Brasil é o segundo país mais afetado com mais de 1,2 milhão de casos e quase 60 mil mortos. Esses são os números oficiais já que na realidade é impossível saber os números reais. O sistema público de saúde se encontra à beira do colapso. Um exame de Covid-19 custa R$ 400 e somente é realizado em pessoas que se encontrem muito doentes. As valas comuns e os cemitérios lotados têm se sido a rotina.

No Chile, a maior rebelião popular em Latino-América dos últimos 70 anos foi contida por meio do Coronavírus. Com uma população de 17 milhões de habitantes, se chega, “oficialmente”, a quase 9 mil mortos e a bem mais de 100 mil casos. Isso coloca o país como o de maior grau de contaminação no mundo per capita.

A burguesia, os grandes empresários, impõem que os negócios voltem à chamada “nova normalidade”, que os trabalhadores trabalhem e continuem usando o transporte público lotado.

As empresas afetadas são as micro, pequenas e as médias. A elas não chegam os enormes volumes de recursos que os Estados têm direcionados para os grandes monopólios. E os lucros têm despencado. Nos próximos meses, assistiremos quebradeiras em massa e ao aumento exponencial do desemprego, que hoje já bate recordes históricos.

Para lidar com os obscenos volumes de recursos repassados para as grandes empresas, o regime é obrigado a acelerar a inflação, até como um mecanismo para rebaixar drasticamente os salários e acabar com as aposentadorias.

Para os trabalhadores, o futuro aponta para a recessão, a hiperinflação, o desemprego, a carestia de vida e a fome. Além da possibilidade real da morte, seja por vírus ou por inanição.

Os povos latino-americanos não podem aceitar essa situação de braços cruzados. E não a aceitarão. Várias lutas começaram a surgir em toda a região.

Colômbia: as organizações sociais organizam o levante de massas

Na segunda-feira 15 de junho, 50 mil pessoas saíram às ruas em Bogotá. 25 mil em Cali, 20 mil em Medellín e aconteceram manifestações em outras cidades. Na sexta-feira 19, o povo de Cali retornou às ruas.

No dia 23 de junho, situações similares voltaram a se repetir. Novos protestos se organizam apesar da violenta repressão da ESMAD (tropa de choque) e de outros órgãos da repressão no país modelo do Estado narco policial paramilitar onde qualquer nova liderança social é sumariamente executada.

O próximo protesto está agendado para a segunda feira 30 de junho. Será a “Marcha das Tochas”.

Dentre as reinvindicações estão salários dignos, rejeição à reforma trabalhista, rejeição às demissões em massa autorizadas, rejeição às licenças não remuneradas e contra a retirada dos benefícios trabalhistas conquistados pelos trabalhadores.

Os manifestantes também rejeitam as hipotecas reversas, que buscam com que os idosos entreguem aos bancos suas casas em troca de uma pseudoaposentadoria vitalícia. E esse modelo deverá estender-se a toda a América Latina.

Há poucos dias, aconteceu a greve dos trabalhadores da Avianca, a principal empresa aérea do país.

A efervescência social aumenta. Chama atenção que as lutas não estão sendo convocadas nem organizadas pelas direções sindicais nem pelos partidos políticos. Da mesma maneira que acontece no Brasil e em toda América Latina, essas direções tradicionais encontram-se, na sua quase totalidade, cooptadas ou controladas pela burguesia e pelos Estados nacionais.

As mobilizações têm acontecido usando os métodos que tiveram sucesso no Chile. Denúncias realizadas nas ruas, documentação material das mesmas, ampla propaganda pelas redes sociais. Convocação e organização pelas redes sociais, a partir de um pequeno grupo de militantes que, ao invés de buscar o protagonismo “burocrático”, procuram dar um norte para que o conjunto de organizações sociais e políticas de luta possam encontrar na prática pontos comuns para fazer crescer o movimento, buscando a aproximação revolucionária.

Peru: único país onde uma central sindical convoca a lutar

No dia 23 de junho, a Assembleia Popular dos Povos do Peru, instância em que participam as principais organizações sindicais, políticas e coletivas da sociedade peruana, chamaram o Dia Nacional da Luta contra as medidas impopulares do governo.

Vários cacerolaços[panelaços], como os que aconteceram na cidade de Arequipa, nos dias 19 e 22 de junho, ajudaram a preparar o dia 23 de junho.

O número de participantes foi relativamente pequeno, 10 mil pessoas em Lima. Mas houve uma situação diferente em termos qualitativos: foi o único país da América Latina onde uma central sindical convocou uma luta, atualmente.

A crise capitalista no Peru é catastrófica, com a economia paralisada e perda de milhões de empregos que se somam às mortes e contágios por Coronavírus.

Da mesma maneira que acontece no vizinho Equador, a situação tem se tornado cada vez mais convulsiva.

Bolívia: o povo busca avançar além da contenção do MAS

O povo boliviano busca encontrar o caminho da luta apesar da barreira de contenção que o MAS (Movimento ao Socialismo) opõe à organização da luta das massas.

O MAS se encontra dividido em pelo menos cinco grupos e três deles se incorporaram ao governo golpista, vinculado aos narcotraficantes colombianos, de Janine Añez.

Os dois grupos restantes, do qual o ex-presidente Evo Morales faz parte, buscam manter a participação no Estado boliviano por meio das eleições que deverão ser uma das mais controladas da história.

A COB (Central Operária Boliviana) e a FSTMB (Federação Sindical dos Trabalhadores Mineiros Bolivianos) se encontram em coma, sem convocar a mobilização efetiva dos trabalhadores e das massas para derrotar os golpistas.

Mesmo em condições adversas, no dia 21 de junho aconteceu o Grande Cacerolazo Petardazo, como é chamado, e a sinalização das casas com a Wiphala, a bandeira dos povos originários. Na terça-feira 23 de junho, houve uma grande concentração de massas na cidade de La Paz.

Chile: o povo retomará os protestos nos dias 2 e 3 de julho

O povo chileno se encontra numa situação de extrema gravidade. O número de contaminados por Coronavírus per capita é o maior do mundo, de acordo com os números oficiais. E o mesmo acontece com o número de mortos, que após a revisão oficial dos números, que eram muito manipulados, se encontra em torno dos 8 mil para uma população de 17 milhões de habitantes.

O sistema de saúde pública se encontra colapsado. O desemprego é enorme.

Uma parte importante da população quase não tem o que comer. Nos bairros populares têm se organizado “panelas populares”, ou cozinhas em mutirão. A polícia chilena, os Carabineiros, que é a polícia mais nazista da América Latina, tem se dedicado a reprimir essa iniciativa para evitar que a população se auto-organize.

As forças repressivas se encontram nas ruas com ainda maior intensidade que na época do sanguinário ditador Augusto Pinochet.

Para o dia 2 e 3 de julho várias organizações sociais chamaram a retomada dos protestos. O povo chileno luta incansavelmente desde os últimos meses do ano passado.

Uma luta que questionou o modelo capitalista neoliberal e as principais bases sobre as quais ele foi sustentado, onde a mudança na constituição de Pinochet não merece a menor dúvida e uma nova Magna Carta é urgente. Além disso, o Chile é outro dos países do Grupo Lima, onde a crise social atingiu níveis alarmantes.

Piñera procura desesperadamente salvar o modelo e pede, para esse fim, acordos nacionais com a maior participação de organizações políticas possível.

Há uma manobra que inclui todos os partidos integrados ao sistema que busca impor uma candidata da Democracia Cristã para as eleições do próximo ano e uma nova Constituição que na realidade manterá a estrutura da Constituição atual, que foi aprovada originalmente por Pinochet em 1980.

Nos dias 2 e 3 de julho, as ruas do Chile voltarão a se encher de pessoas em um protesto nacional que lembrará os massivos protestos de 2 e 3 de julho de 1986 contra o ditador Pinochet.

Brasil: Fora Bolsonaro, Mourão, Paulo Guedes e os generais!

Contra a privatização da água! Unificar todas as lutas!

O descontentamento social aumenta devido aos ataques contra a população. O desemprego e a miséria não param de crescer.

O sistema de saúde pública se encontra colapsado. O número oficial de contagiados por Coronavírus se aproxima rapidamente do 1,5 milhão e o número de mortos de 60 mil.

No domingo 28 de junho, acontecem protestos em 20 países e 50 cidades pelo Stop Bolsonaro! Essa campanha deve ser levada em frente pelos verdadeiros lutadores sociais. As direções hiperburocratizadas das centrais sindicais, dos sindicatos, das organizações sociais e dos partidos políticos se encontram integradas à política do governo de atacar os trabalhadores. Não houve nenhum esforço para impulsionar esse ou qualquer outro movimento de massas nas ruas.

As torcidas organizadas têm saído às ruas assim como algumas organizações antifascistas.

Na quarta-feira 1 de julho, acontecerá a Paralisação Internacional dos Entregadores de APP. Ao mesmo tempo, acontecerá o Dia Nacional de Protestos Contra a Privatização da Água.

Também no mesmo dia 1º de julho está marcada a greve dos trabalhadores do metrô de São Paulo, contra a retirada de direitos e a redução salarial.

Não há como voltar atrás: o caminho são os protestos de massa. Esse caminho deve ser impulsionado pelos verdadeiros revolucionários, anti-imperialistas, os trabalhadores classistas, o movimento popular e os vários movimentos sociais. Estamos numa encruzilhada. Querem nos matar por Coronavírus ou de fome. Querem entregar até a última gota de sangue dos brasileiros. Devemos lutar em defesa dos salários e dos empregos, das condições de trabalho e pelas nossas vidas.

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