Brasil se alinha ao imperialismo e vota contra fim de patente da vacina contra o Covid-19

Com informações de Jamil Chade

Nesta imagem você pode conferir os países que votaram a favor (em verde) e contra (em vermelho) a quebra de patentes das vacinas anti-COVID-19 em reunião da OMC em novembro.

O Brasil se destaca negativamente: é o único país no mundo que, mesmo não tendo nenhuma farmacêutica ou laboratório detentora de patente da vacina, vota contra a quebra da patente. Em outras palavras, não apenas não vai lucrar, porque não possui indústria para se beneficiar das patentes, mas como faz a clara opção por pagar mais para vacinar a sua própria população!

A Organização Mundial do Comércio (OMC) realizou negociações sobre as patentes de vacina e tratamentos contra a covid-19. Mas um impasse entre países ricos e emergentes impede que o assunto consiga chegar a uma solução.

No total, 99 dos cerca de 160 países membros da entidade anunciaram o apoio ao projeto de suspender a aplicação de patentes para produtos relacionados com a covid-19. A meta é a de garantir que a propriedade intelectual não seja um obstáculo para o acesso de bilhões de pessoas pelo mundo à vacina, até que haja uma imunidade de rebanho contra o vírus no mundo. Entidades internacionais, como a OMS, saíram em apoio da ideia, além de ONGs humanitárias, de movimentos sociais e igrejas de todo o mundo.

Mas, revertendo décadas de uma postura tradicional da diplomacia brasileira, o Itamaraty optou por se recusar a se unir ao grupo que sugere a suspensão das patentes. Na reunião de cúpula dos BRICS, também em novembro, os líderes de África do Sul e Índia defenderam a ideia da quebra de patentes. A China lidera a proposta desde seu início. Entre os países dos BRICS, todos os países, com exceção do Brasil, contam com pesquisas avançadas em vacinas e medicamentos contra o coronavírus. Mas o presidente Jair Bolsonaro sequer tocou no tema.

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