Hoje na História: EUA se retiram do Vietnã


Via Opera Mundi

Em janeiro, Acordo de Paris foi assinado e colocou fim à guerra no país.

Dois meses após a assinatura do Acordo de Paz, as últimas tropas combatentes dos Estados Unidos deixaram o sul do Vietnã, em 29 de março de 1973, logo após Hanói ter libertado os últimos prisioneiros de guerra mantidos no Vietnã do Norte.

Os oito anos de intervenção direta das Forças Armadas norte-americanas na Guerra do Vietnã chegavam ao fim.

Em Saigon, cerca de sete mil empregados civis do Departamento de Defesa permaneceram no país, tentando ajudar o Vietnã do Sul a dar andamento ao acordo, para que o conflito com as tropas do general Nguyen Vo Giap, do Vietnã do Norte, chegasse ao fim.

A escalada norte-americana no Vietnã começa em 1961. Depois de duas décadas de assistência militar indireta, o presidente dos EUA, John F. Kennedy (1961-1963), enviou o primeiro grande contingente armado ao país, para apoiar o ineficaz regime autocrático do Vietnã do Sul. Três anos mais tarde, com o governo sul vietnamita caindo aos pedaços, o presidente Lyndon B. Johnson (1963-1969) ordenou um bombardeio limitado ao Vietnã do Norte, ao mesmo tempo em que o Congresso aprovava a utilização de tropas terrestres.

Em 1965, as investidas norte-vietnamitas deixaram a Casa Branca com duas escolhas: a escalada do envolvimento dos Estados Unidos ou a retirada. Johnson ordenou a escalada, e o contingente de soldados do exército, marinha e aeronáutica chegou a 300 mil pessoas. Nesta fase da guerra, a Força Aérea norte-americana deu início ao maior dos bombardeios da história, com emprego de munição tradicional, mas também com bombas napalm e desfolhantes laranja.

Durante os cinco anos subsequentes, a prolongada duração da Guerra, o alto número das baixas estadunidenses e a exposição do envolvimento das tropas em crimes de guerra, como o massacre de My Lai, ajudaram a criar dentro dos EUA um poderoso movimento contra a Guerra do Vietnã.

A Ofensiva do Tet do Vietnã do Norte e do Vietcong pulverizou as esperanças de um fim iminente do conflito e galvanizou a oposição à guerra. A reação de Johnson foi anunciar em março de 1968 que não iria concorrer à reeleição e autorizava as negociações de paz.

Na primavera de 1969, os protestos contra a guerra ganhavam força os Estados Unidos, e a presença de tropas norte-americanas no Vietnã destroçado pela guerra atingia o pico de 550 mil homens. Richard Nixon (1969-1974), o novo presidente, começou a retirada de tropas e exigiu a “vietnamização” do esforço de guerra. Porém, ao mesmo tempo, determinou a intensificação do bombardeio aéreo.

A retirada de grandes contingentes prosseguiu no começo de 1970, enquanto o presidente Nixon expandia operações aéreas e terrestres para o Camboja e o Laos, na tentativa de cortar as rotas de suprimento do inimigo ao longo das fronteiras do Vietnã. Esta expansão da guerra levou a novas ondas de protesto, não apenas nos EUA, mas no mundo todo.

Finalmente, em janeiro de 1973, foi assinado o Acordo de Paris para o Fim da Guerra e Restauração da Paz no Vietnã pelo Vietnã do Sul, pelos Estados Unidos e pelo governo Revolucionário Provisório, que representou os revolucionários sul-vietnamitas (o Vietcong). 

Os principais negociadores foram Le Duc Tho, pelo Vietnã do Norte, e Henri Kissinger, pelos Estados Unidos, que nesse mesmo ano foram agraciados com Prêmio Nobel da Paz.

As principais cláusulas incluíram um cessar-fogo em todo o Vietnã, a retirada das forças norte-americanas, a libertação dos prisioneiros de guerra e a reunificação do Norte e do Sul por meios pacíficos. O governo sul-vietnamita permaneceria no poder até que novas eleições acontecessem. As forças norte-vietnamitas no sul não poderiam se deslocar nem serem reforçadas.

Na realidade, o acordo foi pouco mais que um gesto para salvar a face de Washington. Ainda antes da partida das tropas norte-americanas, em 29 de março, em resposta às provocações militares do governo de Saigon, os norte-vietnamitas se reposicionaram no terreno. No começo de 1974, empreenderam um ataque em larga escala, dominando praticamente todo o território ao sul.

Em 30 de abril de 1975, os últimos poucos norte-americanos que permaneciam no Vietnã do Sul foram embarcado em aviões de volta a seu país. O coronel norte-vietnamita Bui Tin, ao aceitar a rendição do Vietnã do Sul, ressaltou: “Vocês não têm nada a temer. Entre os vietnamitas não há vencedores nem vencidos. Apenas os americanos foram derrotados”.

A Guerra do Vietnã foi a mais longa e impopular das guerras em que os Estados Unidos estiveram envolvidos. Custou a vida de 58 mil de seus soldados e centenas de milhares de feridos. Dois milhões de soldados e civis vietnamitas foram mortos. 



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