A HIPOCRISIA DOS TRÊS GOLPES RECENTES NA AMÉRICA LATINA

Luã Reis – Em 2009, o presidente de centro-esquerda de Honduras, Manuel Zelaya, foi deposto por um golpe militar autorizado pela Suprema Corte e com apoio declarado do governo dos EUA. O “crime” de Zelaya foi ter proposto um plebiscito para decidir sobre mudanças na constituição, uma antiga demanda social do país, uma delas seria alterar o artigo que proibia a reeleição. Os militares, apoiados pela mídia corporativa e pelo congresso, acusaram Zelaya de querer se perpetuar no poder. Zelaya foi preso de pijama, deposto e exilado. 

Duas semanas atrás, a mesma Corte e congresso, aprovaram a mudança na constituição que permite a reeleição do conservador Juan Hernandez. Um detalhe sórdido foi que a alteração constitucional foi realizada enquanto a seleção perdia para o Brasil na semifinal olímpico. Nenhum levante militar, reclamação do governo americano ou acusações midiáticas. 

Em 2012, o presidente de centro-esquerda do Paragaui, Fernando Lugo, foi deposto por um impeachment realizado em menos de 24 horas. O “crime” de Lugo foi não ter evitado um confronto no campo entre policiais e “seguranças” de latifundiários contra sem terras. O suficiente para o oligopólio midiático e o congresso conservador abrirem o processo que removeria Lugo. 

Essa semana, um confronto semelhante resultou em oito policiais mortos. Qual destaque dessa notícia? Uma destituição presidencial foi sequer cogitada?

Agora, Dilma Rousseff, também presidenta de centro-esquerda sofre uma deposição, também via impeachment. Dilma é acusada de manipular o orçamento, as “pedaladas fiscais”, tal prática foi realizada pela maioria dos 27 governadores do Brasil, além de todos os antecessores. O próprio Temer já pedalou. O governo interino já admitiu que recorrerá a prática se preciso for. Um processo de impeachment será aberto contra Temer? As famílias que controlam a mídia corporativa exigirão a deposição do novo governo?

Três golpes, três histórias de hipocrisia

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