OS HERÓIS SILENCIADOS DE DEIR EZ-ZOI

Luã Reis – No início de setembro de 2014, as trevas tomaram uma cidade: o terror do ISIS sitiou Deir Ez-Zoi, cidade no sudeste da Síria, às margens do Rio Eufrates. Cercada por todos os lados e ameaçada por armamento pesado, a caída era iminente. O Estado Islâmico cortou a água e a energia elétrica, bem como a chegada de alimentos e remédios. 

No entanto, Deir Ez-Zoi resistiu. Por um dia, por uma uma semana, por um mês, por um ano. Já são três anos que a cidade se recusou a ser subjugada. A resistência foi composta na maioria esmagadora por parte dos 100.000 habitantes da cidade.

O maior cerco que uma cidade fora submetida, até então, havia sido o sítio a Leningrado feito pelos nazistas, que durou 900 dias. Os mais de mil dias de cerco do terror do ISIS podem ser comparados aos sítios da antiguidade, mitológicos, como o que os gregos impuseram à Tróia. Sendo que Odisseu, ainda que contasse com Aquiles e deuses, não possuía tanques, bazucas ou força aérea. 

No dia 16 de setembro de 2016, a aliança dos EUA-OTAN com as monarquias do golfo bombardeou a cidade, matando centenas de integrantes da resistência, civis e militares, e permitindo o avanço do ISIS sobre áreas da cidade. A força aérea do terror permitiu um avanço que resultou em massacre de civis. 

Quando o ISIS atacou Paris, o mundo se pintou com as cores da França; quando atacou a Bélgica, a Torre Eiffel se pintou nas cores da bandeira belga; quando ocorreu um ataque em Orlando, a torre se coloriu com a bandeira americana. Nenhum monumento se coloriu em solidariedade a Deir Ez-Zoi. Nenhum sino no ocidente dobrou pelas vítimas dos ataques do ISIS e dos EUA na cidade ou pelos milhares de dias de cerco à cidade.

O ISIS foge para o deserto que o pariu, com a ajuda cínica e criminosa da coalizão internacional liderada pelos EUA. Três anos depois, no entanto, a resistência de Deir Ez-Zoi triunfou, os moradores heróis podem voltar a viver. O sol volta a brilhar.

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