Redes de desinformação: uma ameaça concreta à soberania brasileira

Por Ronaldo Lafaete Lima de Araújo

Em mais uma demonstração de desprezo pelas instituições democráticas, brasileiros se reuniram em frente ao Palácio da Alvorada, no dia 03 de maio de 2020, para pedir a instauração de uma ditadura a ser liderada pelo atual Presidente do Brasil. Isso por si só seria o suficiente para causar espanto, mas a imagem do Presidente da República e seus apoiadores carregando a bandeira dos Estados Unidos e de Israel sobreposta à bandeira do Brasil deixou os espectadores intrigados com tal submissão e desprezo pela soberania nacional. Sabe-se que não se trata de fato inédito, pois há algum tempo a extrema direita brasileira vem publicamente às ruas apresentar seu projeto de sociedade em que os interesses dos EUA são confundidos com os interesses nacionais. Essa manifestação seria a primeira após o rompimento entre lavajatistas e bolsonaristas, o que revelou um novo cenário de disputa política protagonizada pelo o ex-juiz e recém ex-ministro da justiça.

Tanto as pautas antidemocráticas quanto a subserviência imperialista não são novidades nesse tipo de manifestação, no entanto somente agora os principais veículos de comunicação do país abordam esses acontecimentos como ameaças à  recém nascida democracia brasileira. Apesar de jornais e as redes sociais terem  transmitido essas  imagens do Presidente com uma clara submissão, ao ser acompanhado por bandeiras estrangeiras, não houve sequer uma crítica específica a essa questão. Isso parece deixar claro que a grande mídia também apoia o novo projeto imperialista liderado pela extrema direita, mesmo que agora estejam divididos, esse elo ainda os unem.

É de uma incoerência e contradição assustadora em que se ergue as bases desse novo jogo político. Onde se cria uma rede monstruosa  de desinformação a fim de conduzir a população a um conflito civil em prol de interesses aleatórios aos verdadeiros interesses nacionais.

A soberania nacional brasileira tem sido reduzida à atuação do então chamado “gabinete do ódio”, que seria um departamento extra oficial criado para disseminar o ódio, notícias falsas e acirrar a disputa política mesmo fora do período eleitoral. Incrível como que uma nação soberana, que em 1988 promulgou uma Constituição, conhecida por seu teor social, se reduziu a um esquema de milícias orientadas a estabelecer valores retrógrados disfarçados de conservadorismo e valores cristãos. Os últimos episódios protagonizados pela extrema direita brasileira acende o alerta de quão prejudicial a paz são as redes de desinformação e o quanto elas ameaçam a soberania de um país.

Parece-nos que estamos apenas no início de um processo doloroso de construção de uma “necropolítica” baseada no desprezo pelas desigualdades sociais e um apreço pela subserviência ao imperialismo liderado pelo o atual governo norte americano e bem representada pela extrema direita brasileira. Continuaremos atentos aos novos episódios dessa sombria fase e não nos deixaremos sucumbir a esse projeto de sociedade medíocre e em desacordo com os anseios da sociedade brasileira e da comunidade internacional que ainda preza pela saúde das pessoas e pela vida das instituições democráticas, em especial pelo Estado Democrático de Direito.

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