O caminho da Índia de Modi: submissão ao ocidente e disputas regionais

Na vanguarda do retrocesso, o governo de Narendra Modi reduz a Índia à subserviência e têm um custo alto à população. Isolada do resto do continente, o país se fecha a acordos comerciais com vizinhos e aspira se tornar uma filial do Ocidente na guerra comercial com a China.

Butão, Nepal, Bangladesh, Paquistão, China e Sri Lanka todos tiveram impasses e disputas com o governo de Delhi recentemente. Acusam a política de Narendra Modi de expansionista, interferindo em assuntos internos de países vizinhos, e em alguns casos, financiando e treinando grupos terroristas.

A relação dos países na região já vinha abalada com a promulgação do Citizenship Amendment Act em 2019. A nova lei possibilita que imigrantes e refugiados não-hindus percam a cidadania indiana e sejam deportados. Governos vizinhos e a oposição qualificaram a ação de islamofóbica, acusando Narendra Modi e o Partido do Povo Indiano (Bharatiya Janata Party) de promoverem a supremacia hindu.

Enquanto o Sul Asiático se une na Nova Rota da Seda (BRI), a Índia revive disputas na fronteira e promove boicote a produtos e empresas chinesas. As empresas do setor público indiano foram orientadas a declinar futuros contratos com empresas da China.

Do lado ocidental, Washington e uma União Européia relutante, não têm capacidade nem interesses que garantam a sobrevivência econômica indiana, muito menos podem apaziguar a caótica situação social em que o país se encontra. A Índia tem o terceiro maior número de contaminados por Covid19, chegando a 1 milhão de infectados nos próximos dias, totalizando quase 25 mil mortes. O desemprego chegou a 23% em abril desse ano e a insatisfação com o governo se traduziu em violência nos grandes centros urbanos, apesar da imensa máquina de propaganda.

O crescimento econômico dos últimos anos se atrelou à disparada da desigualdade e hoje o 10% mais rico detém mais de 70% da riqueza gerada no país. Recentemente, estados indianos congelaram leis trabalhistas, estudam estender as horas de trabalho e reduzir salários. A ideia é atrair o investimento das empresas que evadem a China em resposta às sanções de Donald Trump.

Com os recentes acordos firmados com os Estados Unidos e Israel, a política indiana se volta à indústria armamentista. Segundo o relatório anual do Instituto Internacional de Pesquisa pela Paz de Estocolmo (SIPRI), o estado indiano possui atualmente um arsenal de 150 armas nucleares, a estimativa é que a produção pode chegar a 493 em capacidade total.

Com a expansão do programa nuclear, calcula-se que, em 2039, a Índia terá seis reatores novos em funcionamento, expandindo sua capacidade para produzir até 28 armas nucleares por ano. Em 2015, o site Foreign Policy noticiou a construção de uma cidade secreta, em Challakere, que atuaria como o maior complexo de pesquisa termonuclear, enriquecimento de urânio e produção de armas e aviões na região. Segundo analistas, o verdadeiro interesse do projeto é o aumento nos estoques de urânio enriquecido que possibilitariam a produção de bombas de hidrogênio.

A China é a maior parceira econômica da Índia. Apesar da aproximação desta ao Ocidente e OTAN, ambas são signatárias do BRICS e de outros acordos de cooperação regional. A escalada do conflito, como ocorrido no vale de Galwan recentemente, serve mais à desestabilização da economia indiana e que a “contenção” da China enquanto potência global.

A extrema-direita indiana, como no resto do mundo, opera propositadamente na lógica política de guerra constante por não oferecer alternativa econômica que não a manutenção do lobby e dos monopólios, austeridade para o povo e a diminuição do aparelho do Estado concomitante à expansão do aparato bélico e repressivo. Alguns milhares de vidas podem ser perdidas, mas é um sacrifício que o Império está disposto a fazer.

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