O Papai Noel e o “teto dos gastos públicos”

Um dos maiores esforços da classe burguesa é iludir a sociedade para fazer com que todos acreditem que o problema do Brasil é a má gestão, quer dizer, o maior problema do país seria a corrupção. No entanto, a classe trabalhadora sabe muito bem que o maior problema da nação é ter sido assediada e constrangida historicamente por forças imperialistas, que aliadas com a burguesia nacional, orquestram golpes de Estado e rasgam as constituições quando sentem que seus privilégios estão em perigo. Para quem acredita na burguesia: a Lava Jato e o Sérgio Moro. Não obstante, para a classe trabalhadora, apenas com a história e a consciência de classe podemos alcançar o poder. Florestan Fernandes exibiu bem este cenário: “As vantagens e privilégios estão na raiz de tudo, pois se as classes burguesas realmente “abrissem” a ordem econômica, social e política, perderiam, de uma vez, qualquer possibilidade de manter o capitalismo e preservar a íntima associação existente entre dominação do poder estatal pelos estratos hegemônicos da burguesia”.

Dentro deste enredo criado pela burguesia liberal estão o Papai Noel e o “teto dos gastos públicos”. O  infame editorial do jornal Folha de SP, inacreditavelmente intitulado – “Jair Rousseff” -, que vincula Dilma a um fascista que homenageia os torturadores dela, foi baseado nesta ilusão. Pelo fato de a presidenta Dilma ser contra o “teto dos gastos públicos”, isso seria um motivo para a comparação com o Governo Bolsonaro. Pois bem, com este editorial a Folha demonstrou ser parte da mídia facciosa que a presidenta citou após seu último discurso no Governo:  “O Projeto Inclusivo e Democrático que represento está sendo interrompido por poderosa força com apoio de uma IMPRENSA FACCIOSA. Vão capturar Instituições do Estado para colocá-las a serviço do mais radical liberalismo e retrocesso social”.

Sobre o Papai Noel, todos sabem a sua função no mercado liberal. Agora, sobre o “teto dos gastos públicos”: quando um governo diz que as contas públicas estão muito altas e que é necessário congelar os gastos públicos por vinte anos para economizar, para que o governo quer poupar? Quando o Banco Mundial diz que precisamos, simplesmente, extinguir o ensino público no país, com objetivo de “economizar” alguns bilhões, quem que é tão importante pagar que vale a pena destruir o ensino no país? A burguesia rentista. A classe de pessoas no topo da estrutura econômica baseada no petrodólar, que controla o mundo institucionalizado, monopoliza os mercados, controla os processos de todas as cadeias produtivas que estão ligadas ao sistema financeiro internacional, através do qual ele especulativamente (não produtivamente) obtém super lucros. Para eles, é sempre necessário controlar os governos de todos os países que possuem grandes reservas de petróleo, ou de outro recurso natural. Essa burguesia é a proprietária do mundo institucionalizado e controla as reservas de recursos naturais, as cadeias produtivas, os mercados, a tecnologia, o sistema financeiro, o FMI, o BM etc.

“A PEC do teto dos gastos é contra o povo e a favor do rentismo”, declara o economista Marcio Pochmann.

No núcleo do golpe estão as velhas forças imperialistas que não visam outra coisa do que a velha política de expansão e o domínio territorial, cultural e econômico da nação. A burguesia rentista é uma peça fundamental do golpe, pois ao analisá-lo brevemente, encontramos o fundamental: o esforço irracional dos golpistas em conservar o sistema econômico rentista, ou seja, a contínua e crescente absorção de riqueza por uma classe que não produz nada. O governo brasileiro está nas mãos da burguesia rentista, que vive da especulação, que resiste à reconversão do modelo de hegemonia do capital financeiro a um modelo produtivo.

O economista Marcio Pochmann resume: “Tudo isso justifica a continuidade do pagamento da dívida pública pelo governo. Para investidores nacionais ou estrangeiros interessa saber que o Estado brasileiro está reduzindo gastos sociais da forma que permita sobrar recursos para pagamento dos juros da dívida. Nesse sentido, a roda da especulação será mantida. É o elemento de credibilidade para a roda da especulação, mas não é o elemento de credibilidade para a economia que não está associada à sua financeirização. Daí não teremos condições para a economia se recuperar por conta da expansão do investimento ou possibilidade de aumentar a produção e consumo. Então, isso não justifica para aqueles que acreditam que as medidas são necessárias para o país poder sair da recessão, pelo contrário, tende a aprofundar a recessão, mas por outro lado é uma medida que dá credibilidade à continuidade do movimento especulativo, o rentismo.”

O que liga Paulo Guedes, Rodrigo Maia e a Folha de SP (ou qualquer outra PIG)? A ilusão do “teto dos gastos públicos”. Sem escrúpulos, já vemos o aumento da miséria, da fome, das famílias sem hospitais, das empresas que vendo as prefeituras de joelhos à sua liquidez financeira pode poluir, matar e destruir reservas naturais sem nenhuma contrapartida. Em plena Pandemia vemos os bilionários mais ricos e a classe trabalhadora mais pobre. Desde 2016, o Brasil vem sofrendo um desmonte diário, reservas de petróleo são praticamente dadas às multinacionais, a indústria naval está sendo desmontada, hidrelétricas privatizadas, a construção civil pesada, indústria de defesa, Petrobras, Eletrobras, Embraer, reservas ambientais, águas, terras e tudo mais que puder ser vendido e desnacionalizado. Tudo à burguesia rentista nada ao povo.

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