A VITÓRIA DO IRÃ

Luã Reis – O gol contra marcado pelo defensor marroquino ao final do jogo, dando a vitória para o Irã, pode muito bem simbolizar a política externa contemporânea no Oriente Médio: aparentemente acuado, o Irã sai vencedor da disputa.

Nas últimas semanas, o Reino do Marrocos foi aumentando o tom das ameaças até romper definitivamente com a República Islâmica do Irã. Raab acusa os iranianos de apoiar, com suporte financeiro e financiamento de armas, a Frente Polisario, movimento separatista do Sahara Ocidental, que o reino oprime violentamente.

Como em outras acusações semelhantes contra Teerã, “as provas” são frágeis, envolvendo uma suposta participação do Hezbollah. O Marrocos fechou a embaixada do Irã no país. O governo iraniano evitou retaliar diretamente, afirmando que os marroquinos sofreram “pressão dos EUA, Arábia Saudita e Israel.”

Sintomaticamente, Marrocos em árabe significa “ocidente”, parece que o reino não esconde a quem serve, ao mesmo tempo os países ocidentais corroboram a política de pesada repressão exercida pelos marroquinos contra os movimentos de autonomia do podo do Sahara Ocidental. 

Com o empate entre portugueses e espanhóis, o Irã lidera o grupo, ainda que momentâneo um ótimo resultado para o país persa. O Marrocos, por sua vez, amarga a última posição, na mesma semana que foi derrotada pelos americanos da ambição de sediar o mundial de 2026. O jogo na Rússia entre Irã e Marrocos lembra no que as ações contra o iranianos tem resultado na região: um tremendo gol contra.

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