A desestabilização de Belarus como objetivo da extrema-direita ucraniana

Imagem de capa: belarus, lukashenko e neonazistas

Por Matheus Mendes | Com informações de Oleksiy Kuzmenko

Em sequência de Tweets, o jornalista internacional Oleksiy Kuzmenko, levanta uma nova hipótese acerca da Bielorrússia (ou Belarus, como acostumou-se a chamar). Manter Lukashenko no poder para vê-lo deteriorar-se seria de interesse da extrema-direita, em especial de grupos nazistas ucranianos que sonham em concretizar uma grande aliança racista da extrema-direita europeia. 

Cobrindo as últimas manifestações de Sergei Korotikih, líder e porta-voz do movimento extremista de direita Azov, Kuzmenko escreveu:

Esperando a vitória de Lukashenko porque sua presidência fraca e deslegitimada pode preparar o caminho para “um projeto nacional” em Belarus”, afirma Sergei Korotkih, pretenso líder neonazista bielorrusso/russo do movimento de extrema-direita da Ucrânia, Azov, em fala sobre as eleições em Belarus.

Em um vídeo no Telegram, Korotkih teoriza que, sob o enfraquecimento de Lukashenko, dentro de 1 ou 2 anos “pessoas de orientação nacionalista” com um “projeto nacional” poderão ser capazes de “lutar pelo futuro da Bielorrússia”. Korotkih diz que ele está pronto para apoiar tais pessoas agora. 

Oleksiy Kuzmenko

O jornalista continua reportando os planos da Azov:

Korotkih, que passou a ser visto como o financiador do movimento de extrema-direita Azov na Ucrânia, descreve Svetlana Tikhanovskaya como “um projeto do Kremlin” cuja vitória significaria o fim de “qualquer projeto ou sonho nacional bielorrusso”.

Em contraste, Korotkih “sonha” que a Bielorússia  – aparentemente condicionada à presidência enfraquecida de Lukashenko – pode eventualmente se tornar parte de uma união entre Ucrânia, Polônia, Estados Bálticos, partes da Rússia, enfim, uma “Europa branca sem esquerdas […] para europeus”.

A descrição de Korotkih de “Europa Branca sem esquerdas” onde a Bielorrússia pode eventualmente se encaixar é uma aparente referência aos conceitos geopolíticos de Azov de Intermarium e Reconquista. Korotkih tem sido um grande impulsionador das ambições internacionais de Azov. 

“Os eventos de hoje [em Belarus], amanhã, e no ano seguinte, darão, espera-se, uma oportunidade para as forças nacionais que estão nesta onda se mostrarem”, diz Korotkih sobre as eleições na Bielorrússia.

A visão de Korotkih de uma Bielorrússia enfraquecida sob Lukashenko deslegitimado, abrindo caminho para uma presença mais forte dos nacionalistas e o eventual papel da Bielorrússia em uma nova “Europa Branca”, está na linha do cenário do colapso da Ucrânia que ele descreveu recentemente

Korotkih é conhecido por seu papel nos ataques contra a oposição bielorrussa em 1999, laços com assassinos de lá, elogios a Lukashenko, etc. MAS notavelmente Pavel Sheremet escreveu em 2015 que ele “livrou Sergei Korotkih de todas as suas suspeitas [de Sheremet], e acusações”

Oleksiy Kuzmenko

De fato, como vem sendo reportado por diversos jornalistas e analistas internacionas já há algum bom tempo, o que não falta são evidências sobre as conexões que a nova extrema-direita estabelece globalmente.

Nos eventos que ficaram conhecidos como ‘Euromaidan’ na Ucrânia, diversos militantes da extrema-direita chegaram a ser recrutados em brigadas internacionais neonazistas para combater na região do Donbass contra o exército Russo e contra a então resistente República de Donetsk.

A Euromaidan resultou no golpe de Estado e a instalação do governo racial branco e militarizado que atualmente governa a Ucrânia, mas seu modelo de “revolução colorida” parece ser o objetivo de algumas organizações de extrema-direita para outros países, algo como uma fórmula que poderia ser replicada e exportada.

No Brasil, os representantes do projeto internacional da extrama-direita estão no governo. Eduardo Bolsonaro, o próprio filho do presidente, é o funcionário mais ilustre de Steve Bannon, servindo como um embaixador brasileiro de seu projeto The Movement.

Evidências reveladas desde 2015, como relata Kuzmenko, sugerem que o movimento nacionalista branco ucraniano Azov tem cooptado extremistas de direita americanos para avançar no projeto de uma grande defesa internacional dos interesses supremacistas brancos. À isso assiste o conceito de Reconquista, um termo que remete às primeiras cruzadas e teria como plano uma grande mobilização para resistir à “invasão” de “outras raças” não europeias, como negros e muçulmanos (sic).

Se essa hipótese de análise para avaliar a situação dos países bálticos em geral e de Belarus em particular está totalmente correta ou não, ainda é muito cedo para dizer.

De todo modo, algo estranho parece ocorrer quando as imagens dos protestos em Minsk mostram bandeiras que remetem a cores diferentes da bandeira bielorrussa e símbolos medievais e cristãos, com pautas vagas e sem conteúdos politizantes dos reais problemas que Belarus possui.

Também chama atenção o fato dos protestos serem convocados em sua maioria por um canal de Telegram chamado Nexta Live cujos administradores se dizem opositores perseguidos por Lukashenko que operam desde a Polônia. A Polônia, não custa lembrar, é governado pela extrema-direita, e assiste em suas ruas, mesmo antes da escensão do atual governo, marchas de caráter abertamente neonazistas.

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