Hoje na história: há 100 anos, a Revolução Socialista triunfava na Armênia

Por Lucas Rúbio

Em 29 de novembro de 1920, a Revolução Socialista triunfava na Armênia.

Nessa data, o 11º exército do Exército Vermelho, em companhia de guardas armadas operárias e camponesas, entrou na cidade de Ijevan, último reduto dos reacionários na Armênia.

O país, localizado na região do Cáucaso, é um dos mais antigos Estados da história, o primeiro a se autodeclarar cristão e dono de uma cultura antiga muito viva ainda hoje, com um dos mais velhos alfabetos ainda em uso. A Armênia foi palco de disputa de várias nações ao longo de história e havia passado muito tempo sob controle dos russos. Alcançou independência após a desfragmentação do gigantesco Império Russo em 1917-1918 e estava inserido dentro da Guerra Civil que se desenrolou na Rússia até 1921.

Após a vitória militar vermelha em 1920, em dezembro de 1922 a Armênia iria assinar o Tratado da União e se tornaria um dos Estados membros da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.

Abalada por um genocídio promovido pelos turcos em 1915, a Armênia, pouco a pouco, integrou-se ao ritmo de crescimento social e econômico da URSS, tornando-se um país industrializado e com sistemas públicos e universais de acesso à educação e saúde. A cultura milenar armênia – já que a região é o berço de uma das civilizações basilares do mundo – foi promovida durante o período soviético.

Durante a Grande Guerra Patriótica (1941-1945), meio milhão de armênios lutaram contra o fascismo, a maior parte na 89º Divisão de Rifles do Exército Vermelho, popularizada como Divisão Tamanyan, participando de grandes batalhas, sendo a última delas a grande ofensiva sobre Berlim.

Na guerra, porém, a figura armênia mais conhecida foi certamente Ivan Bagramyan, comandante militar do Exército Vermelho que participou de todo o desenrolar do conflito, sendo responsável pela libertação das Repúblicas Bálticas da ocupação nazista. Foi duas vezes condecorado com o altíssimo prêmio de Herói da URSS e alcançou o posto máximo de Marechal.

A Armênia também foi um grande celeiro cultural e artístico da União Soviética, tendo vindo de lá um dos maiores compositores do século passado, Aram Khachaturian.

Nos últimos anos de existência da URSS, a Armênia mergulhou em um período de queda econômica e se envolveu numa trágica guerra com o país vizinho, o Azerbaijão, com o qual teve relações pacíficas e de irmandade por quase 70 anos sob a bandeira vermelha. A guerra, que atualmente está mais uma vez em andamento, vive de pausas e retomadas desde o fim dos anos 1980.

Na imagem, uma ilustração de um tapete armênio com a bandeira da República Socialista Soviética da Armênia e seu brasão de armas.


Lucas Rubio

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