Hoje na História: nascia Lenin, o líder da Revolução Russa

Via Opera Mundi

Teórico político e homem de ação, Lenin foi o primeiro dos herdeiros de Marx a conduzir uma revolução até a vitória, lançando as bases do sistema soviético.

Vladimir Ilitch Ulianov nasceu em 22 de abril de 1870. Aquele que viria a ser conhecido como Lenin pelo proletariado e povos revolucionários do mundo todo passou a infância e início da juventude em sua cidade natal, Simbirsk (atual Ulianovsk). Filho de um inspetor escolar, Volodia (seu apelido de infância) era um estudante aplicado e leitor compulsivo. Perde o pai em 1886 e no ano seguinte seu irmão mais velho, Alexandre, é executado por liderar um atentado contra o czar Alexandre III. Todos os cinco irmãos de Lenin iriam se dedicar à luta contra o czarismo russo.

Ainda em 1887, Lenin é expulso da faculdade de Kazan por participar de atividades políticas revolucionárias. Em 1892 seria readmitido como aluno externo (sem permissão para frequentar as aulas) e em poucos meses é aprovado, em 1º lugar, nos exames de quatro anos de curso.

Muda-se para São Petersburgo no ano seguinte, quando assume o marxismo, começa a escrever seus primeiros panfletos e a fazer propaganda revolucionária para o proletariado. Se aproxima do grupo Libertação do Trabalho, liderado por Plekhanov, que introduziu o marxismo na Rússia. Já envolvido em intensa luta ideológica contra os falsos revolucionários, Lenin funda em 1895 a Liga da Luta para a Libertação da Classe Operária, junto com Martov. Neste mesmo ano é preso por ter feito agitações políticas entre os operários. Sua pena: três anos na Sibéria. Lenin dedica-se intensamente este período para escrever sua primeira grande obra, O Desenvolvimento do Capitalismo na Rússia (publicado em 1899) e outros textos. No degredo oficializa a união com sua companheira Nadezhda Konstantinova Krupskaya, a quem havia conhecido em 1893 e o acompanharia até o fim da vida.

Influenciado pelas grandes greves operárias de meados da década de 1890, Lenin se colocaria o problema do processo revolucionário e a questão do partido passa a ganhar principalidade em sua obra teórica. A principal luta que se delineava era contra o economicismo e o espontaneísmo– formas de oportunismo no movimento operário russo – e principais obstáculos à organização da vanguarda proletária. Lenin acompanharia da Sibéria o congresso de fundação do Partido Operário Social-Democrata Russo*, em 1898.

Cumprida sua pena, Lenin se dirige à Suíça, onde funda e dirige o jornal Iskra, que passa a porta-voz dos social-democratas (marxistas) russos e que era enviado periodicamente aos operários e camponeses de sua terra natal. Após a polarização em duas frações no partido: bolchevique (maioria) e menchevique (minoria), a direçãodo Iskra seria usurpada por Trotsky, Plekhanov e mencheviques, em 1903. Em 1902 publica Que fazer?, no qual fundamenta sua concepção da necessidade de um partido de novo tipo capaz de dirijir a luta política do proletariado até a tomada revolucionária do poder. Era uma contundente crítica ao economicismo dos que preconizavam a principalidade da luta econômica do proletariado e desprezavam o papel do partido da classe, da teoria revolucionária e da luta política.

Em 1903, no II Congresso do POSDR, Lenin lidera a fração vermelha bolchevique na luta contra o oportunismo dos mencheviques.

Combinando uma reflexão teórica original e uma visão de organização centralizada e disciplinada, foi considerado por seus contemporâneos como o verdadeiro pai da revolução bolchevique. Os opositores também consideram o russo como a origem do sistema de repressão e supressão das liberdades individuais na União Soviética. 

Influenciado desde muito cedo pela leitura da obra de Karl Marx, O Capital, Lenin radicalizou sua posição com a execução de seu irmão mais velho, Aleksandr, por conspirar contra o czar Alexandre III, em 1887. Profundo e ardoroso intelectual, Lenin associou os princípios do marxismo diretamente à sua própria teoria de organização política e a análise da realidade russa, imaginando um grupo de elite de revolucionários profissionais – ou “vanguarda do proletariado” -, que inicialmente conduziriam as massas russas à vitória sobre o regime czarista e depois provocar uma revolução mundial. 

A insistência de Lenin na necessidade desta vanguarda acabou por dividir o Partido Social Democrata russo em dois. Uma ligeira maioria passou a ser conhecida como bolchevique, que pregava a revolução, e seus oponentes, os mencheviques, que defendiam as reformas graduais. 

Após a eclosão da Primeira Guerra Mundial em 1914, Lenin, que então vivia na Suíça, instou seus partidários na Rússia a reverter o conflito interimperialista numa guerra civil capaz de livrar as classes trabalhadoras do jugo da burguesia e da monarquia. 

Com o sucesso da Revolução de Fevereiro de 1917 com a abdicação do czar Nicolau II, Lenin retornou clandestinamente à Rússia e trata de organizar a tomada do poder pelos bolcheviques, o que ocorreria em outubro do mesmo ano.

Ao chegar ao poder, Lenin buscou um armistício imediato com as Potências Centrais (Alemanha, Áustria e Turquia) e agiu rapidamente para consolidar o poder do novo Estado soviético, sob o controle do que passou a ser o Partido Comunista bolchevique. Para tanto, os “vermelhos” (revolucionários) tiveram de derrotar os “brancos” (reacionários) em uma feroz luta e repelir a invasão de 13 potências estrangeiras. 

Em seus seisanos de poder, Lenin enfrentou extremas dificuldades para implementar sua visão de Estado dentro das fronteiras, assim como materializar a revolução internacional. Lenin e o Politburo, que incluía Trotsky, seu fiel seguidor durante a guerra civil, e Josef Stalin, o Secretário-Geral do Partido Comunista, cuidaram de esmagar toda a oposição às políticas proclamadas na constituição da nova União Soviética. 

Lenin sofreu um primeiro derrame em maio de 1922. O segundo, mais violento, ocorreu em maio do ano seguinte, deixando-o quase sem fala e praticamente encerrando sua carreira política. 

Quando Lenin morre, em janeiro de 1924, em sua casa de campo em Gorki, o Politburo, em meio à comoção geral, preparou exéquias excepcionais. Stalin envia um telegrama a Trotsky, que estava ausente de Moscou, comunicando a morte de Lenin. Trotsky, no entanto, não consegue chegar a tempo no funeral. Havia três versões para a ausência de Trotsky: estaria em descanso no sul da Rússia; em tratamento de saúde; a serviço, a bordo de um trem militar. Trotsky telefona para Stalin e perguntou quando seriam os funerais. Stalin respondeu que seria no sábado e que Trotsky não chegaria a tempo. Deste modo, o aconselhou a seguir o tratamento de saúde. As cerimônias ocorreram no domingo. Stalin foi o único orador ao lado do caixão mortuário. O povo e os camaradas do partido interpretaram a cena: Stalin transformara-se no herdeiro de Lenin.


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