A TURQUIA INVADE A SÍRIA: CURDOS PAGAM O PREÇO POR CONFIAREM NOS EUA

Luã Reis – Dando continuidade ao projeto expansionista, Recep Erdogan, presidente da Turquia e candidato a sultão, ordenou a invasão da província síria de Afrin, área de maioria curda, controlada pelas Unidades de Milícia Popular, o YPG. Caças turcos bombardearam posições do YPG, abrindo espaço para o avanço de tropas dos “rebeldes moderados”, a oposição síria financiada e aramada pelo ocidente, formado, entre outros, por ex-integrantes do ISIS. Em uma demonstração de sadismo irônico, a operação foi chamada de “Ramo de Oliveira”.

Na província de Afrin, russos e curdos trabalham juntos contra os “moderados”/ISIS. Esse ação conjunta possibilitava negociações entre o governo sírio e os curdos mediadas pelos russos. A Rússia, empenhada em preservar a integridade do território sírio, ofereceu apoio aos curdos contra a invasão, que recusaram. No nordeste da Síria, os curdos contam com apoio massivo americano, de armas à tropas. Certos do apoio e da força da aliança com os EUA, e pressionados pelos americanos, os curdos dispensaram o auxílio russo. Tal recusa custou caro, já cobrando seu preço.

Diante da ação devastadora turca, os americanos simplesmente lavam as mãos: aliados da Turquia, através da OTAN, não indicam que ajudarão os parceiros curdos. Os EUA deixa claro que não criará embaraços com a Turquia em nome das vidas curdas. Erdogan, claro, sabe disso.
A posição curda fragiliza-se: provavelmente vão ter que agir com o Exército Sírio. O que não é tão simples, posto que os EUA tem presença militar no nordeste da síria e poderiam atacar os aliados ou mesmo fortalecer os “moderados”/ISIS contra os curdos.

A invasão turca contra os curdos entra na longa, longuíssima, lista de traições dos EUA. Mais uma lição do que é o imperialismo, que, lamentavelmente, será paga com a vida da perseguida e sofrida população curda. Resta saber, que os atores envolvidos aprenderão a lição: a paz pretendida pelos EUA é uma pomba branca com um ramo de oliveira de Erdogan.

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