TODA LUTA É UMA LUTA CONTRA O IMPERIALISMO

Kissel Goldblum e Matheus Mendes

A filosofia hegeliana nos mostrou, pela primeira vez na História do pensamento ocidental, que o mundo é um resultado do trabalho humano e não o resultado de uma criação divina originária . Nossa sociedade contemporânea, desigual, violenta, machista, racista etc., é um resultado do desenvolvimento de um sistema de produção, certo e determinado, que, para o seu processo de desenvolvimento exige um exército de excedente que, de fato, é o que faz rodar o moinho que move a “invisível mão do liberalismo”. O exército de desempregados que a teoria do salário mínimo exige, o exército de miseráveis, o exército de ignorantes tão fundamental para a expansão do fascismo, fundamental, de tempos em tempos, para que a elite possa retomar o governo quando a esquerda ameaça tomar o poder.

Abominavelmente, a parte que excede não se reconhece como excedente, porque não se compreende como parte de um conjunto – exatamente – porque a ideologia liberal exige uma compreensão individualista da realidade, na qual uma suposta essência humana precederia a existência da própria humanidade. Ao invés de nos reconhecermos como uma sociedade, uma só família; nos enxergamos como eventos individuais/ ideais/ liberais, em outras palavras: imaginário.  

De um certo modo, o liberalismo é um mecanismo de dominação racial inventado pelos brancos europeus cristãos luteranos, que se espalharia pela Holanda, Alemanha e pelo restante da Europa, e que um dia se transformaria no nazismo eugenista “macht arbeit frei” (o trabalho liberta). 

O primeira companhia privada do mundo, com estatuto, sócio, ou seja, personalidade jurídica, essa ficção fundamental capitalista, é holandesa, no auge do primeiro liberalismo europeu:a companhia oriental das índias. Eles fundaram uma especialmente pra África, onde se instalaram no que hoje é a África do sul, numa ideologia a la “destino manifesto”. Até hoje os caras se vêem como africanos legítimos cujo direito natural à terra é ínsito a sua branquitude. Engraçado pensar nos lugares onde esse tipo de liberalismo teve força: EUA, afrikaaners da África do sul, Alemanha nazista, Cia de Exploração do Congo Belga, colonialismo inglês… Não por coincidência, nessas ocasiões se cometeram os mais atrozes genocídios da história da humanidade. Por exemplo, o genocídio praticado pelo rei belga Leopoldo II, durante pelo menos 23 anos no Congo, resultou, segundo estudos acadêmicos, na morte de um número entre 8 e 10 milhões de pessoas, assim como na mutilação de centenas de milhares de pessoas, prática instalada quase por diversão pelo rei belga. Ou seja, um holocausto maior do que o genocídio hitlerista. 

A luta contra a desigualdade social, contra o racismo, contra o machismo, contra o patriarcado – é uma luta contra o imperialismo. Contra a ideologia liberal. Contra um sistema econômico que não pode escapar de ser aquilo que o alimenta: fascista, colonial e escravocrata.  

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