CNN: a criminalização dos antifascistas e a voz ao fascismo

Luã Reis – Diante da crescente popularidade do assunto, a CNN mostrou uma reportagem para apresentar o antifascismo. Mais uma vez foi um esforço de afirmação de uma falsa simetria.

A emissora entrevistou um grupo de antifascistas. O tom da reportagem era investigativo, dentro do carro um repórter corajoso afirmava: “pela primeira vez aceitam falar com uma equipe de TV”.

Destaca-se uma escada pouca iluminada pela qual o bravo jornalista sobe, questionando “Quem são?”, “Que grupo é esse?”, “O que pensam?”, no melhor estilo Globo Repórter. Em uma sala pouco iluminada se encontram os antifas, todos alinhados alternando máscaras vermelhas e pretas, ao fundo bandeiras novíssimas.

O líder antifascita defendeu o anticapitalismo: “o antifascismo, ele busca a superação do capitalismo. A gente busca a superação do capitalismo, a gente busca a superação do machismo, do sexismo, da lgbtfobia e do racismo. A gente entende que essas estruturas de opressão que existem na nossa sociedade elas são estruturas de opressões fundamentadas na lógica capitalista. A gente entende que pra superar essas opressões a gente precisa superar o capitalismo.”

Também afirmou o recurso a violência: “Existe a necessidade da violência. A gente vive num país em que a gente tem taxa de homicídios exorbitante, extrapolante, então, é necessário. A violência ela faz parte do ser humano, faz parte da sociedade capitalista, o estado é violento com a gente, a polícia é violenta e por que não se utilizar da violência também?”

Respostas condizentes com uma perspectiva antifascista, mas de uma inocência suspeita. A CNN evidente destacou a violência: manchetes e chamadas da emissora foi “podemos usar de violência” com imagens dos Antifas. Uma página no Facebook reivindicou serem os entrevistados da CNN. Ainda que seja uma organização real, tanta ingenuidade foi amplamente questionada pelos seguidores. Ainda mais por que não foi a primeira entrevista nesse formato, lembrando outros momentos do jornalismo brasileiro.

As bandeiras novas, com as dobras recém desfeitas, máscaras impecáveis, a penumbra. Cenários e personagens já vistos em outras entrevistas e declarações: os membros fakes do PCC ao Gugu; nos campos de treinamento dos Black Blocs do SBT; nos terroristas ecologistas encontrados pela Veja; e, na “declaração” das FARCs divulgados em canais bolsonaristas.

Todas essas representações midiáticas tem como objetivo “personificar uma ameaça”, apesentando um “inimigo desconhecido”. Não por acaso, a reportagem da CNN tenta equiparar antifascistas com black blocs. Tanto Black bloc, uma tática, quanto antifascistas, uma posição, acabam se tornam organizações. Aqueles entrevistados passam a ser OS black blocs e OS antifascistas.

Para comentar as declarações a emissora também ouviu um integralista, Eduardo Fauzi, que tentou incendiar a sede do Porta dos Fundos, no fim do ano passado. O fascista, sem máscara, defende a ordem e é contra o vandalismo. Logo, o anti-fascista é apresentado com uma posição tão válida quanto o fascismo. Uma equiparação que serve somente o bolsonarismo.

Nunca é feita a pergunta, afinal o que o bolsonarismo ter a ver com fascismo?

Não foi a primeira vez que a CNN deu voz para a extrema-direita, pelo contrário, a emissora faz questão de naturalizar as ideias fascistóides. Da última vez, foi o embaixador da Ucrânia, um regime de extrema-direita. A emissora que se apresenta como um espaço de debates de ideias, cada vez mais se torna um exemplo de naturalização do fascismo bolsonarista.

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